Match Point – Ponto Final

Quarta-feira, Setembro 6, 2006

Pois é, realmente Woody Allen acertou desta vez. Em vez de cometer besteiras como “Igual a Tudo na Vida” (2003), Allen se revigora, muda de paisagem e acerta na mosca. Ou melhor, faz um ace.

“Match Point” mostra um novo caminho para Woody Allen. Novo mesmo: depois de décadas filmando a mesma Nova York, o diretor situa a sua trama em Londres. Na falta de um financiamento americano decente e com uma fiel platéia européia, Allen voa para a capital inglesa e filma sua nova obra com equipe e elenco britânicos (com a exceção de Scarlett Johansson).

Agora, Allen foca seu olhar em mais um roteiro de sua autoria, mas com clara inspiração em “Crime e Castigo” de Dostoievski. Na trama, um jovem ex-tenista Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) se muda para Londres para ensinar tênis em um clube de elite e conseguir a vida que sempre quis. Lá, ele conhece o playboy Tom (Matthew Goode), que lhe abre as portas da sociedade e de sua família, fazendo com que surja um romance de interesse com sua irmã, a insossa Chloe (Emily Mortimer).

O que começa como um drama sobre ambição e falsas aparências passa a adquirir tintas trágicas quando o Jonathan se interessa por Nola (Scarlett Johansson), a vulgar namorada de seu amigo. Uma tragédia que se anuncia com típicos momentos de melodrama e diversas árias de ópera na trilha sonora.

As semelhanças com “Crime e Castigo” acontecem principalmente no terço final, mas não de forma tão óbvia. Até lá, Allen monta um interessante painel da alta sociedade inglesa, de uma forma que remete ao estilo de Robert Altman, principalmente em “Assassinato em Gosford Park” (2003). Conduzindo a história com um aparente distanciamento, o diretor deixa os personagens naturalmente desenvolverem todas as suas facetas, em especial Chris e Nola.

Através de dois personagens tão díspares, Allen compõe verdadeiros seres humanos, por mais desprezíveis que eles aparentam ser.

Num elenco extremamente afinado, o destaque vai para Scarlett, que soube usar sua sensualidade para compor a sexy Nola. Nas mãos de outra atriz, a personagem certamente tornaria-se um poço de vulgaridade e obviedade, sem nenhum brilho para a trama. Mas Scarlett deixa Nola tridimensional e acrescenta personalidade em todos os diálogos.

No contraponto cômico do filme, há de se mencionar a dupla de detetives interpretada por James Nesbitt e Ewen Bremner. Esbanjando bom-humor e timing, os dois dominam suas cenas e nos fazem pensar em um filme estrelado só por seus personagens. Acorda, Woody!

E se tudo na vida depende da sorte, como Chris Wilton insiste em afirmar, “Match Point” é uma tremenda jogada de sorte de seu autor. E com certeza a bola caiu do outro lado da rede.

Match Point – Ponto Final (Match Point, 124 min, 2005)
Dir.: Woody Allen
Com: Jonathan Rhys Meyers, Scarlett Johansson, Emily Mortimer, Matthew Goode.


Super Vôlei

Quarta-feira, Setembro 6, 2006

Mais uma contribuição: um vídeo picareta, mas bem engraçado, de uma partida de vôlei de praia com as duplas Homem Aranha e Namor x Poderoso Thor e Estrela Polar. A Marvel bem que podia utilizar a idéia… mas sem essa trilha cafona. Reparem no ilustre careca que apita o jogo.