Encerra-se a primeira semana da 30ª. Mostra Internacional de Cinema de SP, e este blog assistiu a 3 filmes neste período. Vamos a eles:
Um Dia de Verão
Dir.: Franck Guérin (Um Jour D’ Été, França, 2006)
Filme francês um tanto…francês. Numa cidadezinha do interior da França, dois jovens amigos matam o tempo durante as férias, até que um deles morre quando a trave do gol cai em cima do rapaz. Ah, sim…ele era o goleiro.
Com tal acontecimento inusitado, espera-se que surja algum mistério disso, mesmo que fosse francês. Mas que nada: o filme patina ao mostrar a vida dos personagens afetados por esta tragédia. Pensa-se que chegará a algum lugar, mas não chega coisa alguma. E então, temos o final aberto…e francês.
******
Amor de Verão
Dir.: Piotr Uklanski (Summer Love, Polônia/EUA, 2006)
Não, não é a continuação do filme acima. Agora, entramos no território do “western polonês”. Isso mesmo: o diretor Piotr Uklanski realiza uma homenagem/paródia/brincadeira com o mais americano dos gêneros cinematográficos, inclusive colocando atores poloneses falando em inglês (mas com aquele sotaque de aluno de cursinho de línguas).
Os personagens não têm nome, são apenas “o xerife”, “o estranho”, “a dona do bar” e por aí vai. Começa promissor, com um estranho chegando em um vilarejo para coletar a recompensa por um bandido morto. Mas o filme vai ficando cada vez mais artístico e sem sentido (culpa do diretor, que é artista plástico), resultando numa obra incompreensível e sem propósito.
Destaque para o único ator hollywoodiano no elenco, Val Kilmer. Ironizando sua condição de astro, Uklanski o coloca como o bandido morto. E Kilmer fica assim, inerte do início ao fim do filme, sem uma única reação ou flashback. Ele aparece pouco, mas é impossível não rir quando o vemos estatelado no chão e de olhos arregalados. Mas um Val Kilmer morto não faz um filme.
******
Dias Gelados
Dir.: Danny Lerner (Yamim Kfuim, Israel, 2005)
Instigante e curioso “noir israelense” – pois é, hoje a mistura está exótica – , o diretor Danny Lerner conta a história de uma traficante de Tel-Aviv que, vagando pela noite, tenta encontrar-se com um rapaz que conheceu pela internet. Infelizmente, o local do “blind date” sofre um atentado terrorista, deixando o rapaz em coma. A partir daí, a mulher decide adquirir a identidade dele, assumindo uma outra vida.
Pelo fato de ser um projeto de conclusão de curso de Lerner, o filme apresenta visíveis limitações técnicas e financeiras. Mas o grande trunfo do filme é a presença magnética e sedutora de Anat Klausner como a protagonista Meow. Lembrando uma Asia Argento de traços mais delicados, ela possui a frieza típica das grandes damas do suspense, como Grace Kelly e Kim Novak. Hitchcock ficaria fascinado, e olha que ela nem é loira…
O filme é todo em PB, com uma única (e inteligente) cena colorida. Captado em DV, a imagem surpreende pela nitidez e qualidade na tela grande.
A chave do mistério busca ser surpreendente, mas sofre do mal do típico suspense psicológico. Quem assistir, vai entender…
Para os interessados, há uma entrevista com o diretor aqui.
Escrito por Rodrigo Arijon
Escrito por Rodrigo Arijon
Escrito por Rodrigo Arijon