DVD: A Brokedown Melody

Quinta-feira, Março 29, 2007


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Dirigido por Chris Malloy / Universal

Tirando onda

Registrando o surf de figuras como Kelly Slater e Jack Johnson mundo afora, A Brokedown Melody não apresenta um roteiro definido, e sim uma cansada seqüência de imagens apoiadas pela climática trilha de Kings of Convenience, Eddie Vedder e do próprio Johnson.

É tão cool que não se importaram em identificar os personagens, ao passo que o DVD nacional pegou a mesma onda, absolutamente sem legendas.

publicado na revista Rolling Stone nº 05


Turistas

Quinta-feira, Março 22, 2007

Quem tem medo de “Turistas”?

No ano passado, o filme foi cercado de polêmica (somente no Brasil, vale lembrar) por dar a entender que o país abençoado por Deus e bonito por natureza seria um antro de pessoas malvadas, que querem roubar e mutilar turistas estrangeiros. Ou seja, estaria arranhando a imagem paradisíaca do Brasil no exterior e atrapalhando o fluxo turístico por nossas terras.

Sendo assim, antes de começar a crítica propriamente dita, vamos lembrar de algumas coisas:

1. Este filme é uma obra de FICÇÃO. Não é um documentário e nem ao menos um mockumentary (como “Borat”, que ridicularizou o Cazaquistão). Não se pode levar a sério a concepção do filme sobre o Brasil e seus habitantes. Se for assim, as pessoas teriam medo de viajar à Austrália (“Wolf Creek”), pelo interior do Texas (“O Massacre da Serra Elétrica”), pelo Leste Europeu (“O Albergue”) e por aí vai. Deve ser visto somente como um filme, e pronto.
2. Ficar fazendo campanha contra o filme só aumenta a publicidade sobre ele. Sendo um produto de baixo orçamento e de méritos artísticos discutíveis (é um slasher film com falta de originalidade), o que era para ter passado por baixo do radar foi parar bem na mira dos holofotes.
3. O tal retrato “maligno” do Brasil nada mais é do que uma imaginativa repercussão dos nossos noticiários no exterior (São Paulo atacada pelo PCC, o caso do menino João Hélio, etc.).
4. Apesar de ser um filme superficial, a produção preocupou-se em retratar fielmente os costumes e a cultura brasileira, além de respeitar o português – fato raro em Hollywood.
5. Mais do que ficar criticando, seria muito mais interessante aplaudir a iniciativa de se gravar um filme americano inteiramente no Brasil, usando elenco e equipe locais e incentivando a nossa desequilibrada indústria cinematográfica.

Vindos dos EUA, as amigas Amy (Beau Garrett) e Bea (Olivia Wilde) estão visitando o Brasil, acompanhadas do irmão mais velho da última, Alex (Josh Duhamel). Quando o ônibus mequetrefe em que viajavam capota na estrada, eles acabam conhecendo outros gringos na mesma situação, como a australiana Pru (Melissa George), que também fala português. Sem transporte, o grupo decide relaxar numa praia próxima, onde acabam num barzinho e acabam sendo sedados. Quando acordam, percebem que foram roubados e aceitam ajuda do local Kiko (Agles Steib), que os leva a uma casa segura, isolada no meio da floresta. Casa segura aqui, ó…

                     

Daí em diante, o filme segue a cartilha básicas dos thrillers, deixando pouco espaço para novidades. O diretor John Stockwell curte filmes de praia, tendo rodado “A Onda dos Sonhos” e “Mergulho Radical”. O tom agora é mais naturalista, sem caprichos ensolarados na fotografia. Entretanto, vale destacar as belas seqüências subaquáticas dentro de uma caverna.

Infelizmente, “Turistas” não funciona nem como terror (pois o filme não é isso), nem como suspense (o ponto de virada só acontece depois de uma hora de projeção). As poucas mortes não são dignas de nota, com exceção do espeto de queijo coalho (!) enfiado no olho de um coitado (!!). Seria engraçado se não fosse cruel…

E o vilão brasileiro até que cumpre bem seu papel, mas a necessidade de justificar o ataque a americanos através de uma ótica anti-imperialista passa longe do bom senso. O nobre motivo tem um quê de estapafúrdio, e seria melhor não saber tanto e deixar algo para a imaginação.

A sensação de inércia, confusão e ingenuidade após a perda de todos os seus documentos é o único fiapo de realidade que nos faz acreditar nos personagens. Quem já foi turista em outro país sabe do que estou falando. Mas os personagens são pouco desenvolvidos e não nos importamos muito com seus destinos.

Na linha “jovens sarados”, os protagonistas não têm muito a fazer, mas não dá pra negar que Josh Duhamel e Melissa George, vistos nas séries “Las Vegas” e “Alias” respectivamente, possuem certo brilho e podem despontar nos próximos anos.

Enfim, muito barulho por nada. Na próxima, é melhor os brasileiros ficarem quietos…

Turistas (Turistas, 94 min, 2006)
Dir.: John Stockwell
Com: Josh Duhamel, Melissa George, Olivia Wilde


De volta às armas?

Quinta-feira, Março 8, 2007

Ultimamente, tenho ouvido a rádio Brasil 2000 tocar insistentemente uma nova música do Guns N’ Roses, “Better”. Suposto primeiro single do aguardado-mas-vê-se-não-demora-muito novo disco da banda, “Chinese Democracy”, o novo som atira para vários lados, e continuamos sem saber qual é a nova cara do Guns.

O início da faixa é estranho, com um toque de nu-metal bem comercial, a la Evanescence. Quando Axl solta a voz, lá está o esganiçado tão particular que foi o carro chefe do grupo, junto com a guitarra mítica de Slash. Mas agora, em meados de 2007, algo soa um tanto deslocado. A voz não é mais a mesma, e Axl esforça-se além do recomendável para recuperar o brilho de tempos que não voltam mais.

Apesar disso, “Better” tem uma pegada boa. O grande problema, na verdade, são dois: a música tem andamentos diferentes, como no primeiro solo de guitarra; e o que era conhecido como Guns N’ Roses tornou-se um pastiche de bandas mais contemporâneas, como Linkin Park e Limp Bizkit.

Uns barulhinhos eletrônicos, supostamente “modernos”, surgem em alguns momentos, deixando tudo ainda mais equivocado.

O Guns como conhecemos não existe mais. O som mudou, os integrantes mudaram. O que temos agora é a nova banda de Axl Rose, que se aproveita da marca famosa.

Eu mesmo assisti a um dos primeiros shows do novo Guns, no Rock in Rio 3, em 2001. O cheiro de farofa já estava no ar, mas mesmo assim foi um dos shows mais divertidos que já vi. Teve todos os clássicos, o guitarrista Buckethead fazendo um solo de nunchaku (!), o bizarro Robin Finck tocando e cantando (em português!) um cover de “Sossego” do Tim Maia… e até bateria de escola de samba no final do show!!

Quem foi embora nessa hora se arrependeu amargamente, pois Axl tocou “Paradise City” logo na seqüência…

Voltando ao que interessa, Axl já perdeu o timing para voltar ao Olimpo das grandes bandas de rock. Se “Better” aponta o novo caminho para o Guns N’ Roses, então é melhor ficar parado. Mas se você ainda quiser conhecer a música, veja abaixo o clipe não-oficial.