DVD: Motoboys – Vida Loca

Terça-feira, Outubro 9, 2007


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Prodigo

O navegador do futuro
Documentário premiado mergulha no universo dos motoboys

Personagem-chave da paisagem urbana do século 21, o motoboy surge como uma versão turbinada do antigo office boy, responsável por transportar produtos e serviços rapidamente pelas artérias das metrópoles (principalmente de São Paulo). Segundo estimativas “oficiais”, existem entre 170 a 350 mil motoboys na Grande São Paulo, com uma média de 2 mortes por dia. É inegável a função estratégica desta tribo urbana; sem eles, a cidade entraria em colapso.

Com Motoboys – Vida Loca, o diretor Caito Ortiz esmiúça a personalidade destas figuras, buscando entender as razões que os levam a seguir esta profissão de alto risco.

A controvérsia, neste caso, é inevitável. Por um lado, o urbanista Paulo Mendes da Rocha afirma que “o motoboy é uma metáfora contra a estupidez do trânsito (…) é o navegador do futuro.” Mais adiante, um inconformado J.R. Duran questiona porque o motoboy pensa que está acima do bem e do mal: “Só pelo fato de que tá correndo atrás da grana? Pô, tá todo mundo correndo atrás da grana!”

Há o caso do auto-intitulado “Falcão Negro”, que curte a adrenalina sobre duas rodas e afirma ganhar uma boa grana com isso (“uns 400 reais”). Posando de rebelde e desencanado, tem em casa uma mãe preocupada com o futuro do filho.

Mais tocante é a história de Madá, uma motogirl de 44 anos. Divorciada, perdeu a razão de viver quando seu filho morreu, há alguns anos. Com tristeza na mente, ela usa o trabalho para evitar a dor da ausência, que sente todos os dias.

Tem também um aspirante da profissão, um jovem entregador de pizza, que sonha com uma moto para impressionar as meninas.

A falta de oportunidade acaba sendo um fator determinante. Mas, se este trabalho é vital, não há chance de regulamentá-lo, valorizá-lo e fiscalizá-lo?

A questão motoqueiros X motoristas, tão sensível no dia-a-dia, fica restrita à troca de farpas, mas poderia render muito mais. E, destoando de todo o conjunto, há um equivocado momento “Michael Moore”, com a equipe tentando entrevistar a então prefeita Marta Suplicy, sem sucesso.

O documentário é despojado e gravado de forma simples, valorizando o que está sendo dito. Os comentários pontuais de algumas personalidades e especialistas ajudam a questionar e compreender o papel destes mensageiros motorizados. O filme ganha pontos na temática e na condução da narrativa, confirmando o porquê do Prêmio do Público na 27ª. Mostra BR de Cinema de São Paulo.

publicado na revista Rolling Stone nº 10


DVD: Piratas do Caribe: O Baú da Morte – Edição Especial

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


Filme: «««
Extras: ««««
Disney

Capa e espada ao quadrado

Quando anunciaram que o primeiro Piratas do Caribe era o início de uma trilogia, equipe e elenco adoraram a idéia. Infelizmente, os roteiristas não sabiam como continuar a história, já que o filme fora concebido como um arco fechado. Como a lógica de Hollywood é puramente financeira, eles precisaram escrever algo – e rápido. Os detalhes disso e muito mais estão nos documentários Preparando o Retorno e De Acordo com o Plano, os principais extras da edição especial de Piratas do Caribe: O Baú da Morte, o segundo exemplar da série. Atrasos de roteiro, ilhas inóspitas, furacões tropicais: tudo está registrado para mostrar como é trabalhosa e fascinante a produção da 3ª. maior bilheteria de todos os tempos.

O filme, aliás, segue o mesmo ritmo que o antecessor. Entretanto, tudo agora precisa ser maior, mais alucinante e mais divertido. Johnny Depp segue impecável como o trapaceiro Capitão Jack Sparrow, razão do sucesso da franquia. Desta vez, ele deve sua alma ao pirata-polvo Davy Jones, e busca a ajuda do casal Will e Elizabeth.

As seqüências de ação são histéricas e muito originais, mas o espetáculo se sobrepõe aos personagens. Perdoando a duração excessiva, é um prato cheio – de pipoca.

publicado na revista Rolling Stone nº 09


DVD: Só Deus Sabe

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


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Buena Vista

Samba do mariachi doido

Com locações em San Diego, Tijuana, Cidade do México, São Paulo e Salvador, Só Deus Sabe não chega em lugar nenhum. Começa como um road movie pretensioso e transforma-se em um melodrama equivocado na metade do filme. A impressão é que o diretor Carlos Bolado atirou para todos os lados e nunca acertou. Um filme trilíngue que faria jus ao nome Babel, dada a falta de comunicação entre suas partes.

publicado na revista Rolling Stone nº 09


DVD: Homem-Aranha 2.1

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


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Columbia

Muito barulho por nada

Com a chegada de Homem-Aranha 3 nos cinemas, a Columbia lança esta versão oportunista da última aventura. Destinada a fãs desesperados, é mais um tira-gosto para o novo filme do que uma edição realmente especial.

Os novos extras são fracos e o 2.1 do título refere-se a 8 minutos inéditos e desnecessários. Deste acréscimo, só vale a cena de J. Jonah Jameson brincando com a roupa do herói, impagável.

publicado na revista Rolling Stone nº 08


DVD: Gandhi

Domingo, Setembro 30, 2007


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Columbia

Pequeno grande homem

Realizada sem o apoio dos grandes estúdios, esta longa biografia épica narra a vida do líder indiano Mahatma Gandhi, que lutou pela paz e igualdade através da não-violência. Apesar da magnífica atuação de Ben Kingsley no papel principal, Gandhi não impressiona como obra de cinema. A direção burocrática de Richard Attenborough deixa o conjunto arrastado, restando apenas a (boa) lição de história.

publicado na revista Rolling Stone nº 08


DVD: The Office – 1a. Temporada

Domingo, Julho 1, 2007


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Steve Carell, Rainn Wilson, John Krasinski / Universal

Inglês para americano ver

Há de se perguntar: por que fazer um remake americano de uma série britânica que já era ótima, e pior, falada em inglês? A resposta está aqui.

The Office foi uma sitcom de curta duração da BBC que obteve grande sucesso e catapultou o criador e protagonista Ricky Gervais ao posto de estrela. A originalidade garantiu os prêmios de Melhor Ator e Melhor Série de Comédia no Globo de Ouro, feito inédito para a TV inglesa.

Já a versão americana utiliza os ingredientes do original, mas sem perder a graça e criando uma identidade própria. A fórmula funcionou e a filial já tem mais episódios do que a matriz.

A premissa é a mesma: acompanhar o cotidiano do enfadonho escritório de uma distribuidora de papéis, chefiado pelo ridículo gerente Michael Scott (Steve Carell). Esse verniz de tédio é a mola propulsora para os embates mesquinhos de empregados como o sacana Jim(John Krasinski) e o puxa-saco Dwight (Rainn Wilson).

A atmosfera “gente como a gente” nos lembra das pessoas dispensáveis que encontramos pela vida. Lembra daquele chato com quem você trabalhava? Então…

O estilo mockumentary é o mesmo do programa inglês, registrando a rotina e entrevistando os funcionários. A câmera é percebida pelos personagens e eles reagem à sua presença – sempre de forma embaraçosa. Comédia de constrangimento, com os risos nas entrelinhas.

Carell comanda o show e sua performance lhe garantiu o Globo de Ouro de melhor ator em 2006. Apesar de ser diferente da atuação de Gervais, o inglês ainda leva vantagem.

A 1ª. temporada americana tem apenas 6 episódios e o DVD brasileiro segue enxuto, sem extras.

publicado na revista Rolling Stone nº 06


De volta às armas?

Quinta-feira, Março 8, 2007

Ultimamente, tenho ouvido a rádio Brasil 2000 tocar insistentemente uma nova música do Guns N’ Roses, “Better”. Suposto primeiro single do aguardado-mas-vê-se-não-demora-muito novo disco da banda, “Chinese Democracy”, o novo som atira para vários lados, e continuamos sem saber qual é a nova cara do Guns.

O início da faixa é estranho, com um toque de nu-metal bem comercial, a la Evanescence. Quando Axl solta a voz, lá está o esganiçado tão particular que foi o carro chefe do grupo, junto com a guitarra mítica de Slash. Mas agora, em meados de 2007, algo soa um tanto deslocado. A voz não é mais a mesma, e Axl esforça-se além do recomendável para recuperar o brilho de tempos que não voltam mais.

Apesar disso, “Better” tem uma pegada boa. O grande problema, na verdade, são dois: a música tem andamentos diferentes, como no primeiro solo de guitarra; e o que era conhecido como Guns N’ Roses tornou-se um pastiche de bandas mais contemporâneas, como Linkin Park e Limp Bizkit.

Uns barulhinhos eletrônicos, supostamente “modernos”, surgem em alguns momentos, deixando tudo ainda mais equivocado.

O Guns como conhecemos não existe mais. O som mudou, os integrantes mudaram. O que temos agora é a nova banda de Axl Rose, que se aproveita da marca famosa.

Eu mesmo assisti a um dos primeiros shows do novo Guns, no Rock in Rio 3, em 2001. O cheiro de farofa já estava no ar, mas mesmo assim foi um dos shows mais divertidos que já vi. Teve todos os clássicos, o guitarrista Buckethead fazendo um solo de nunchaku (!), o bizarro Robin Finck tocando e cantando (em português!) um cover de “Sossego” do Tim Maia… e até bateria de escola de samba no final do show!!

Quem foi embora nessa hora se arrependeu amargamente, pois Axl tocou “Paradise City” logo na seqüência…

Voltando ao que interessa, Axl já perdeu o timing para voltar ao Olimpo das grandes bandas de rock. Se “Better” aponta o novo caminho para o Guns N’ Roses, então é melhor ficar parado. Mas se você ainda quiser conhecer a música, veja abaixo o clipe não-oficial.


Uma nova faceta

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Depois que a Skol inventou uma locução mais “jovem” para a campanha do verão que passou, outros comerciais passaram a seguir esta linha. E eu aproveitei uma chance.

Já está no ar o novo filme da cerveja Bavaria Premium. E se prestarem atenção, perceberão que a locução da vez é minha. Um estilo mais despojado, informal mesmo. Meu primeiro trabalho oficial somente com a voz.

Fiz o teste para atuar no filme, mas acabou que alguém achou minha voz interessante para a locução. Fiz um teste de locução… e passei!

Para assistir o filminho over and over, entre no site da Bavaria Premium e clique em “Campanha”. Confesso que adorei o “Saboreie com Moderação”…


Na luta

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Uau… bastante tempo ausente desta vez. Nunca imaginei que escrever sob (nenhuma) pressão fosse tão difícil. É muito mais fácil escrever quando estão cobrando isso de você. E sei que têm uns gatos pingados esperando novos posts.

Então, vamos lá… a luta continua.


Cozinha Chic

Segunda-feira, Dezembro 4, 2006

Esta será a minha última aparição televisiva de 2006, então aproveitem!!

Hoje, dia 04 de dezembro, à meia noite, vai passar o programa “Cozinha Chic”, no canal Discovery Travel & Living (Sky/ Direct TV – canal 57, TVA Digital – canal 36). É um episódio dedicado à culinária brasileira e suas influências. No caso, fui o produtor local do programa e acabei sendo uma espécie de apresentador, onde levo a equipe para conhecer o trabalho de Alex Atala (D.O.M.), Adriano Kanashiro (Kinu), João Malagueta (Pizzaria Venite), Dadá (Varal da Dadá – Salvador) e Beto Pimentel (Paraíso Tropical – Salvador). Então, estou lá na frente das câmeras, conhecendo os chefs e realizando algumas entrevistas.

Espero que alguém possa assistir, pois o Discovery Travel & Living não é um canal tão fácil de ter na programação da sua TV por assinatura.

Eu me diverti na época da gravação… acho que o resultado deve estar bacana. Espero seus comentários após a exibição!!

O episódio terá reprises:
Dia 05/12 – 04:00, 08:00
Dia 08/12 – 01:30, 05:30, 09:30
Dia 09/12 – 20:30
Dia 10/12 – 04:30
Dia 11/12 – 16:00, 20:00

Para saber que eu não estou mentindo, entre em http://www.diaryofafoodie.org/episodes/7/index.html e clique em “Preview episode”. Vai ver se eu não apareço…