DVD: The Office – 2a. Temporada

Quarta-feira, Outubro 24, 2007


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Universal

Um clássico (re)nasce

Depois de uma curtíssima primeira temporada, The Office volta livre da sombra de seu molde britânico e finalmente encontra seu próprio tom dentro do formato. Episódios clássicos tomam forma e tornam-se referência pop, ocupando o vazio deixado por Seinfeld. De quebra, o elenco está afinadíssimo e ainda temos a química perfeita do quase-casal Jim e Pam. Resumindo: a melhor sitcom da TV atualmente.

publicado na revista Rolling Stone nº 12


Filme: Person

Terça-feira, Outubro 9, 2007

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Dirigido por Marina Person

Em nome do pai

Marina Person, apresentadora da MTV, tem um saudável peso em suas costas: é filha do mítico cineasta Luiz Sérgio Person, autor dos clássicos São Paulo S/A (1965) e O Caso dos Irmãos Naves (1967). O fascínio familiar e artístico pela figura paterna a levou a dirigir este documentário-tributo, que levou oito anos para ser concluído.

Com depoimentos de amigos e colegas como Antunes Filho, Walmor Chagas, Paulo José e Jean-Claude Bernardet, Marina busca conhecer seu pai, com quem pouco conviveu (Person teve uma morte prematura, aos 39 anos). As entrevistas mesclam-se com filmes da família em super-8 e com uma ótima entrevista dada por ele na TV Cultura. Surge a imagem de um homem de fortes convicções, um gênio solitário e um pai de família carinhoso.

Mesmo contando com a participação afetiva da irmã Domingas e da mãe Regina, a diretora evita o fácil caminho da mera homenagem e monta um sensível retrato sobre um dos nossos mais inteligentes e versáteis diretores. Há inclusive algumas aparições da filha-diretora, mas fica a estranha sensação de “auto-entrevista”. A curta duração do documentário reflete a vida e a obra de Person: intensa, breve e marcante. Seu pai ficaria orgulhoso.

publicado na revista Rolling Stone nº 11


HQ: As Melhores do Analista de Bagé

Terça-feira, Outubro 9, 2007


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Luis Fernando Veríssimo e Edgar Vasques
Objetiva

Divã inspirado

O Analista de Bagé finalmente reapareceu. No início, eram apenas contos; depois, transformou-se em peça de teatro. Agora, após clinicar por quase uma década na revista Playboy e ter sumido do mapa, o Analista ressurge em uma edição bem-acabada (devidamente acompanhado da fiel secretária Lindaura), compilando as HQs publicadas neste período.

Gaúcho de bombacha, daqueles que não levam desaforo pra casa, o personagem cura todos os problemas que, bem ou mal, são relacionados a sexo: ninfomania, frigidez, ejaculação precoce e por aí vai. Cada caso dura uma página, e ainda somos brindados com a inédita “Papai Fresco”, que dá o indício de uma provável aposentadoria.

O texto de Veríssimo, para variar, continua com timing preciso e ligeiro, garantia de boas risadas. Mas o que chama a atenção é a esplêndida arte de Edgar Vasques: a composição de cada quadro, o uso de aquarela, o traço digno dos melhores quadrinistas europeus. Somente um visual refinado para fazer frente à prosa de Veríssimo.

publicado na revista Rolling Stone nº 10


DVD: Motoboys – Vida Loca

Terça-feira, Outubro 9, 2007


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Prodigo

O navegador do futuro
Documentário premiado mergulha no universo dos motoboys

Personagem-chave da paisagem urbana do século 21, o motoboy surge como uma versão turbinada do antigo office boy, responsável por transportar produtos e serviços rapidamente pelas artérias das metrópoles (principalmente de São Paulo). Segundo estimativas “oficiais”, existem entre 170 a 350 mil motoboys na Grande São Paulo, com uma média de 2 mortes por dia. É inegável a função estratégica desta tribo urbana; sem eles, a cidade entraria em colapso.

Com Motoboys – Vida Loca, o diretor Caito Ortiz esmiúça a personalidade destas figuras, buscando entender as razões que os levam a seguir esta profissão de alto risco.

A controvérsia, neste caso, é inevitável. Por um lado, o urbanista Paulo Mendes da Rocha afirma que “o motoboy é uma metáfora contra a estupidez do trânsito (…) é o navegador do futuro.” Mais adiante, um inconformado J.R. Duran questiona porque o motoboy pensa que está acima do bem e do mal: “Só pelo fato de que tá correndo atrás da grana? Pô, tá todo mundo correndo atrás da grana!”

Há o caso do auto-intitulado “Falcão Negro”, que curte a adrenalina sobre duas rodas e afirma ganhar uma boa grana com isso (“uns 400 reais”). Posando de rebelde e desencanado, tem em casa uma mãe preocupada com o futuro do filho.

Mais tocante é a história de Madá, uma motogirl de 44 anos. Divorciada, perdeu a razão de viver quando seu filho morreu, há alguns anos. Com tristeza na mente, ela usa o trabalho para evitar a dor da ausência, que sente todos os dias.

Tem também um aspirante da profissão, um jovem entregador de pizza, que sonha com uma moto para impressionar as meninas.

A falta de oportunidade acaba sendo um fator determinante. Mas, se este trabalho é vital, não há chance de regulamentá-lo, valorizá-lo e fiscalizá-lo?

A questão motoqueiros X motoristas, tão sensível no dia-a-dia, fica restrita à troca de farpas, mas poderia render muito mais. E, destoando de todo o conjunto, há um equivocado momento “Michael Moore”, com a equipe tentando entrevistar a então prefeita Marta Suplicy, sem sucesso.

O documentário é despojado e gravado de forma simples, valorizando o que está sendo dito. Os comentários pontuais de algumas personalidades e especialistas ajudam a questionar e compreender o papel destes mensageiros motorizados. O filme ganha pontos na temática e na condução da narrativa, confirmando o porquê do Prêmio do Público na 27ª. Mostra BR de Cinema de São Paulo.

publicado na revista Rolling Stone nº 10


DVD: Quem Matou o Carro Elétrico?

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


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Imagem Filmes

Whodunit ambiental

Aproveitando a discussão sobre aquecimento global e guerras motivadas pelo controle do petróleo, o diretor Chris Paine coloca a sua peça nesse quebra-cabeça ambiental. Quem Matou o Carro Elétrico? é um documentário investigativo sobre o que aconteceu com o primeiro e único modelo de automóvel movido a energia elétrica que foi efetivamente comercializado nos EUA.

A partir de uma lei californiana que estipulava uma porcentagem mínima de veículos não poluentes, o filme tenta reconstruir o caminho que levou a própria indústria automobilística a interromper a produção e, inclusive, destruir todos os carros elétricos que ainda estavam em circulação, tirando-os de seus próprios donos.

Com narração do politizado Martin Sheen, a boa premissa detetivesca perde a força devido à falta de objetividade. É evidente que o filme é pró-carro elétrico – o que não é ruim -, mas defender um ponto de vista mina a integridade de todo bom documentário que se preze. Teorias conspiratórias são levantadas e culpados são apontados, como a indústria do petróleo e até o próprio governo norte-americano. Todas as informações se complementam e fazem sentido, mas o verniz de parcialidade deixaria Michael Moore orgulhoso.

Mesmo assim, os pormenores dessa história não deixam de ser estranhos e fascinantes: por que os próprios fabricantes desestimulavam os consumidores interessados? Por que divulgar as limitações de seu próprio produto?

Em tempos de Al Gore e seu Uma Verdade Inconveniente, a intenção de conscientizar e educar a população sobre questões ambientais merece aplausos. E se parte do problema é relacionado ao monopólio do petróleo, fica a pergunta: será este também o destino do nosso álcool combustível?

publicado na revista Rolling Stone nº 09 (em versão editada)


DVD: Piratas do Caribe: O Baú da Morte – Edição Especial

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


Filme: «««
Extras: ««««
Disney

Capa e espada ao quadrado

Quando anunciaram que o primeiro Piratas do Caribe era o início de uma trilogia, equipe e elenco adoraram a idéia. Infelizmente, os roteiristas não sabiam como continuar a história, já que o filme fora concebido como um arco fechado. Como a lógica de Hollywood é puramente financeira, eles precisaram escrever algo – e rápido. Os detalhes disso e muito mais estão nos documentários Preparando o Retorno e De Acordo com o Plano, os principais extras da edição especial de Piratas do Caribe: O Baú da Morte, o segundo exemplar da série. Atrasos de roteiro, ilhas inóspitas, furacões tropicais: tudo está registrado para mostrar como é trabalhosa e fascinante a produção da 3ª. maior bilheteria de todos os tempos.

O filme, aliás, segue o mesmo ritmo que o antecessor. Entretanto, tudo agora precisa ser maior, mais alucinante e mais divertido. Johnny Depp segue impecável como o trapaceiro Capitão Jack Sparrow, razão do sucesso da franquia. Desta vez, ele deve sua alma ao pirata-polvo Davy Jones, e busca a ajuda do casal Will e Elizabeth.

As seqüências de ação são histéricas e muito originais, mas o espetáculo se sobrepõe aos personagens. Perdoando a duração excessiva, é um prato cheio – de pipoca.

publicado na revista Rolling Stone nº 09


DVD: Só Deus Sabe

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


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Buena Vista

Samba do mariachi doido

Com locações em San Diego, Tijuana, Cidade do México, São Paulo e Salvador, Só Deus Sabe não chega em lugar nenhum. Começa como um road movie pretensioso e transforma-se em um melodrama equivocado na metade do filme. A impressão é que o diretor Carlos Bolado atirou para todos os lados e nunca acertou. Um filme trilíngue que faria jus ao nome Babel, dada a falta de comunicação entre suas partes.

publicado na revista Rolling Stone nº 09


DVD: Homem-Aranha 2.1

Quinta-feira, Outubro 4, 2007


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Columbia

Muito barulho por nada

Com a chegada de Homem-Aranha 3 nos cinemas, a Columbia lança esta versão oportunista da última aventura. Destinada a fãs desesperados, é mais um tira-gosto para o novo filme do que uma edição realmente especial.

Os novos extras são fracos e o 2.1 do título refere-se a 8 minutos inéditos e desnecessários. Deste acréscimo, só vale a cena de J. Jonah Jameson brincando com a roupa do herói, impagável.

publicado na revista Rolling Stone nº 08


DVD: Gandhi

Domingo, Setembro 30, 2007


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Columbia

Pequeno grande homem

Realizada sem o apoio dos grandes estúdios, esta longa biografia épica narra a vida do líder indiano Mahatma Gandhi, que lutou pela paz e igualdade através da não-violência. Apesar da magnífica atuação de Ben Kingsley no papel principal, Gandhi não impressiona como obra de cinema. A direção burocrática de Richard Attenborough deixa o conjunto arrastado, restando apenas a (boa) lição de história.

publicado na revista Rolling Stone nº 08


DVD: São Paulo Sociedade Anônima

Domingo, Julho 1, 2007


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Dirigido por Luiz Sérgio Person / Videofilmes

São Paulo, ame-a ou deixe-a

Clássico absoluto do cinema brasileiro, São Paulo S/A escancara a metrópole em seu ápice industrial, analisando o surgimento da nova classe média através do trabalho e dos amores de Carlos (Walmor Chagas). A narrativa ousada e desconstruída, moderna para a época, ainda impressiona. Com habilidade e crítica social, Person monta uma declaração de amor – e ódio – a esta cidade que fascina e oprime.

publicado na revista Rolling Stone nº 07